Art focus

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Imagos de ontem vistas hoje

Ambiguidade do rosto . Fotografia em Ius Imaginum

 

Digital Images in ius imaginum

OSD, imagens em argila crua pintada, madeira, moldura digital, imagens digitais algumas contaminadas no suporte / 2015 / 0,500 x 0,700.

 

Mas é na arte e literatura que melhor se compreende a construção do eu, porque é a partir de um imaginário que se constroem as diversas personagens que conduzem o individuo a debater-se entre o follow me e o rewind affective.
 
A construção dos afectos nucleares para a subsistência do eu, que o segue e se projecta não como imagem invertida do espelho infantil, mas como sombra na parede que ladeia os percursos psíquicos e, mais tarde, o persegue na mais sombria imagem dos afectos.
 
As novas tecnologias da comunicação criam a possibilidade do desdobramento da personalidade e, uma constante mutação do eu, um eu descontrolado, que entrou numa mutação permanente sem vacina possível. Ao individuo é agora permitido mudar diariamente.
 
Perdida a sua geografia e confinidade física adquirida na infância, o eu movimenta-se num espaço de liberdade virtual, através de redes físicas, construídas à semelhança das suas interações  neurológicas, sexualidade e afectos armazenados. Isso, é só parte de um novo contexto de vida, espaço e lugar do EU. 

Arte - Ius Imaginum em Vila Real Sto António

Arquivo Histórico  Municipal -  António Rosa Mendes

2 a 30 de Outubro

 

IUS IMAGINUM
 
A imagem, em particular, o faceas, hoje é espaço privilegiado para análise sociopsicológica do discurso de modelagem de uma sociedade. 
 
Ponto intersticial, onde a identidade cultural transparece e onde a  sociedade pós moderna, em que o panoptismo refletido nas redes sociais e na  hipervisibilidade, se expressam para criar um sujeito em que o público e o privado cada vez  mais se fundem e confundem.
 
O rosto, símbolo arquetípico da identidade, representa também uma tela onde se  inscrevem significados e onde a identidade fica aquém das possibilidades de significação  que oferece a sua interpretação semiótica. O rosto/busto é aqui erigido em signo em que  se desmultiplicam significações, valências culturais e emoções universais mais do que um   vivido pessoal. O ator social e sujeito individual é então obrigado a uma destreza técnica  da “máscara”, quase se confundindo com ela, num aplanamento das várias dimensões do rosto.
 
Para Lasch, viver no presente e apenas nele, gera uma perda de sentido da continuidade  histórica, a perda de um enraizamento e da perspetivação do futuro que caracteriza a  sociedade narcísica. A imagem deixa de ser Retrato-expressão identitário e transforma-se  em signo. O culto da esteticização, a radicalização do normativo e do universal, desvirtua a  inscrição no tempo e na memória e corporiza a máscara.
 
A imagem serve assim ao adestramento social “que já não se efetua através da coerção  disciplinar, nem mesmo da sublimação: efetua-se por meio da auto-sedução” como refere  Lipovetsky. O narcisismo procede, ainda segundo este autor, ao híper-investimento dos  códigos, neutralizando os conteúdos em beneficio da sedução psicológica. 
 
O rosto transforma-se em “fortaleza vazia” porque desimplicada do mundo e da sua  inscrição no corpo e no vivido (José Gil).
 
A passagem do tempo e a sua inscrição no corpo e no rosto, permite, por contraponto à  deterioração inevitável, a emergência de uma essência. As raízes a memória como resgate  nobre para a fuga à tirania de um discurso cultural e para a perspetivação do futuro.
 
Marta Dias de Almeida
Outubro 2015

 

 

O POÇO DA MORTE - ARTE CONTEMPORÂNEA

A propósito das Feiras de Arte

Terminou ontem mais uma feira de arte. Desta feita a Est Art Fair da qual  Eça diria que antecede a Speech-Season. Todas estas feiras estão agora a criar uma nova bolha, acentuando o interesse neste investimento em alternativa aos mercados financeiros, utilizando as peças de arte (?), algumas das quais de uma volatilidade evidente, não só pela precariedade dos materiais que as compõem, como também pelo seu reduzido interesse artístico. Alguns dos artistas consagrados pelo sistema são verdadeiras decepções no showcase das galerias, o que não é o caso por exemplo da Módulo, Centro Difusor de Arte.  A ter em atenção e seguir com cuidado o investimento em arte. 

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