Art focus

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Arte - Ius Imaginum em Vila Real Sto António

Arquivo Histórico  Municipal -  António Rosa Mendes

2 a 30 de Outubro

 

IUS IMAGINUM
 
A imagem, em particular, o faceas, hoje é espaço privilegiado para análise sociopsicológica do discurso de modelagem de uma sociedade. 
 
Ponto intersticial, onde a identidade cultural transparece e onde a  sociedade pós moderna, em que o panoptismo refletido nas redes sociais e na  hipervisibilidade, se expressam para criar um sujeito em que o público e o privado cada vez  mais se fundem e confundem.
 
O rosto, símbolo arquetípico da identidade, representa também uma tela onde se  inscrevem significados e onde a identidade fica aquém das possibilidades de significação  que oferece a sua interpretação semiótica. O rosto/busto é aqui erigido em signo em que  se desmultiplicam significações, valências culturais e emoções universais mais do que um   vivido pessoal. O ator social e sujeito individual é então obrigado a uma destreza técnica  da “máscara”, quase se confundindo com ela, num aplanamento das várias dimensões do rosto.
 
Para Lasch, viver no presente e apenas nele, gera uma perda de sentido da continuidade  histórica, a perda de um enraizamento e da perspetivação do futuro que caracteriza a  sociedade narcísica. A imagem deixa de ser Retrato-expressão identitário e transforma-se  em signo. O culto da esteticização, a radicalização do normativo e do universal, desvirtua a  inscrição no tempo e na memória e corporiza a máscara.
 
A imagem serve assim ao adestramento social “que já não se efetua através da coerção  disciplinar, nem mesmo da sublimação: efetua-se por meio da auto-sedução” como refere  Lipovetsky. O narcisismo procede, ainda segundo este autor, ao híper-investimento dos  códigos, neutralizando os conteúdos em beneficio da sedução psicológica. 
 
O rosto transforma-se em “fortaleza vazia” porque desimplicada do mundo e da sua  inscrição no corpo e no vivido (José Gil).
 
A passagem do tempo e a sua inscrição no corpo e no rosto, permite, por contraponto à  deterioração inevitável, a emergência de uma essência. As raízes a memória como resgate  nobre para a fuga à tirania de um discurso cultural e para a perspetivação do futuro.
 
Marta Dias de Almeida
Outubro 2015

 

 

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