De volta

Começar a escrita quando acreditamos que ninguém nos vai ler, ideia que se tem de que o mundo nos vai ouvir através das palavras escritas com letras que não existem. A palavra é o exercício caligráfico da mão, como resultado de conexão entre pensamento e articulação complexa de sistemas neuronais, musculares e orgânicos. A palavra depois de escrita pela mão não pode e não deve ser emendada se incorrecta, mas rasurada, escondida pelo movimento agressivo da ponta da caneta.

Estamos à procura, à espera, ao acaso ou à coincidência do momento, sem saber se ele existe ou não. Tudo se altera de um instante ao outro, a efemeridade do que não conseguimos descrever, a atenção ao ruído que vem de cima, seja chuva ou trovoada. E que mais se pode passar? Em " Os pássaros também cantam no inferno " Horace Greasley, diz tudo o que é possível imaginar de sofrimento e prazer, das vitórias perdidas e das palavras escritas na memória da sobrevivência resistente. Como pode alguém falar em suicídio depois de descer ao inferno dos sobreviventes.


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